Carlos Moliterno Carlos Moliterno (Maceió, 15 de março de 1912 — Maceió, 19 de maio de 1998) foi um poeta, jornalista, crítico literário e intelectual brasileiro. Considerado um dos maiores nomes da literatura alagoana do século XX, destacou-se pela obra A Ilha (1969), composta por 59 sonetos, além de sua forte atuação cultural em Alagoas e da presidência da Academia Alagoana de Letras por vários mandatos consecutivos.
Biografia Carlos Moliterno nasceu em Maceió, Alagoas, em 15 de março de 1912. Era filho de Vicente Moliterno e Maria Rosa Moliterno, descendentes de italianos vindos da Calábria. Teve duas irmãs: Maria Esmeralda Moliterno e Ana Moliterno. Ainda jovem, enfrentou dificuldades financeiras após a morte do pai. Por esse motivo, interrompeu os estudos ainda no ensino primário e começou a trabalhar aos 12 anos como aprendiz de alfaiate com Antônio Canuto. Trabalhou na profissão durante aproximadamente onze anos, sem abandonar o interesse pelos livros e pela literatura. Seu mestre alfaiate também gostava de leitura e o incentivava constantemente. Posteriormente, passou a atuar no jornalismo, iniciando como revisor no Jornal de Alagoas. Depois tornou-se redator, editorialista e subsecretário do periódico. Também colaborou na Gazeta de Alagoas e em suplementos literários do estado. Foi casado inicialmente com Gedalva, com quem teve três filhos. Mais tarde, casou-se com a poetisa, cantora, atriz e escritora Anilda Leão, união considerada polêmica para a sociedade conservadora da época. Com Anilda, teve dois filhos: Carlos Alberto Moliterno e Luciana Moliterno.
Carreira profissional Além do jornalismo e da literatura, Carlos Moliterno exerceu diversos cargos ligados à cultura em Alagoas. Trabalhou na Companhia Souza Cruz e atuou como gerente comercial antes de dedicar-se integralmente à produção intelectual. Também ocupou importantes funções públicas:
Diretor do Departamento Estadual de Cultura; Chefe de gabinete da Secretaria de Educação e Cultura; Diretor da Imprensa Oficial de Alagoas; Redator-chefe do Departamento de Assuntos Culturais da SENEC.
Carreira Literária Carlos Moliterno tornou-se um dos principais representantes da poesia moderna alagoana. Sua produção literária apresenta forte lirismo, musicalidade e reflexões sobre memória, solidão, tempo e identidade. Seu primeiro livro foi Desencontro (1953), inicialmente influenciado pelo parnasianismo. Mais tarde, aproximou-se do modernismo e da chamada Geração de 45. Sua obra mais conhecida é A Ilha (1969), formada por 59 sonetos. O livro é considerado um clássico da poesia alagoana e foi definido pelo próprio autor como “o melhor trabalho na opinião coruja de um poeta”. Entre os versos mais conhecidos da obra estão: “(...) em que ponto do mar ficou a ilha...” Também escreveu Notas Sobre Poesia Moderna em Alagoas, importante obra para os estudos literários do estado. (Antonio Miranda)
Estilo Literário A poesia de Carlos Moliterno caracteriza-se pelo lirismo intenso, pelas imagens simbólicas e pela presença constante do mar, da memória e da introspecção humana. Sua escrita mistura traços da tradição parnasiana com elementos modernos da poesia brasileira. (História de Alagoas) Segundo o próprio autor, a literatura nasceu de sua “sensibilidade estética”, do hábito da leitura e da vocação para escrever.
Academia Alagoana de Letras Carlos Moliterno foi membro da Academia Alagoana de Letras desde 1955 e exerceu a presidência da instituição por seis mandatos consecutivos entre 1983 e 1998, tornando-se um dos presidentes mais importantes da história da Academia. Também integrou o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL) e foi sócio correspondente da Academia Paulista de Letras em Alagoas. (Antonio Miranda) Durante sua gestão, ocorreu a ampliação da sede da Academia Alagoana de Letras, inaugurada em 1989.
Principais Obras
(Antonio Miranda)
Homenagens e Legado Carlos Moliterno é lembrado como um dos maiores intelectuais de Alagoas. Sua contribuição para a poesia, o jornalismo e as instituições culturais do estado marcou a literatura alagoana do século XX. Foi autor da letra do Hino de Maceió e tornou-se referência para escritores e pesquisadores da cultura nordestina. Após sua morte, em 19 de maio de 1998, recebeu diversas homenagens da imprensa cultural e da Academia Alagoana de Letras.
Referências