A barragem de Cariba (ou Kariba) é uma barragem em arco de dupla curvatura situada no desfiladeiro de Cariba, na bacia do rio Zambeze, entre a Zâmbia e o Zimbábue. A barragem tem 128 metros de altura e uma extensão de 579 metros. O represamento forma o Lago Cariba, maior lago artificial do mundo, que se estende por 280 quilômetros e contém 185km3 de água.

Etimologia Kariba vem da palavra "kariva" ou "kaliba", que significa armadilha. Era o nome de uma rocha que se projetava do desfiladeiro onde as paredes da barragem foram construída. Os tongas acreditavam ser o lar do Nyami Nyami, o deus do rio Zambeze, cujo qualquer um que ousasse chegar próximo à rocha seria arrastado para passar a eternidade debaixo d'água.

Construção

A barragem foi construída por ordem da Federação da Rodésia e Niassalândia, uma colônia federal da Coroa britânica. Formou-se joint venture de engenheiros consultores, que incluía a Sir Alexander Gibb & Partners, liderada por Angus Paton, e a Coyne et Bellier, liderada por André Coyne, no ano de 1955. A barragem em arco duplo foi construída entre 1955 e 1959, pela italiana Cogefar-Impresit, custando 135 milhões de dólares, apenas com a casa de força subterrânea Sul (Zimbábue) no estágio inicial. O estágio final da construção e a adição da casa de força subterrânea Norte (Zâmbia) foi feito pela Mitchell Construction, e até 1977, não havia sido completada, devido a diversos problemas políticos, custando um total de 480 milhões de dólares. Durante a construção, 86 operários da construção civil morreram. A barragem foi inaugurada oficialmente pela Rainha Isabel, a Rainha Mãe, no dia 17 de maio de 1960.

Geração A barragem de Cariba fornece 2,010 megawatts de eletricidade para ambos países (Zâmbia e Zimbábue) e gera 6,400 gigawatt-horas anualmente. Cada país tem sua própria usina na parte norte e sul da barragem, respectivamente. A usina ao sul, pertencente ao Zimbábue, está em operação desde 1960 e possui seis geradores de 125 megawatts, sendo um total de 750 megawatts. Em 11 de novembro de 2013, foi anunciado pelo ministro financeiro de Zimbábue, Patrick Chinamasa, que a capacidade da estação hidroelétrica Sul teria um aumento 30%, com a instalação de duas novas turbinas, gerando 300 megawatts. O custo das melhorias seria feito com ajuda de um empréstimo de 319 milhões de dólares da China. O projeto teve início em 14 de novembro de 2014 e foi finalizado no dia 10 de março de 2018. Foi realizado pela Sinohydro e teve um custo de 533 milhões de dólares. A usina localizada no norte, pertencente à Zâmbia, está em operação desde 1976, e inicialmente possuía quatro geradores de 150 megawatts cada, totalizando 600 megawatts de potência. Em dezembro de 2013, foram realizados trabalhos para adicionar mais dois geradores de 180 megawatts, totalizando 960 megawatts.

Localização da barragem

A barragem de Cariba foi planejada e executada pelo governo da Federação da Rodésia e Niassalândia. A Federação era normalmente referida como Federação Centro-Africana (CAF). A CAF era uma "colônia federal" do Império Britânico na África Austral nos anos de 1953 até 1963, compreendendo a antiga colônia britânica autônoma da Rodésia do Sul e os antigos protetorados britânicos da Rodésia do Norte e Niassalândia. Antes da formação da Federação, a Rodésia do Norte decidiu, em 1953, construir uma barragem em seu território, no Rio Cafué, tributário do Rio Zambeze, estando mais próximo localizado ao Cinturão de cobre da África Central, que necessitava de mais energia elétrica. Este seria um projeto mais barato e menos grandioso, com menor impacto ambiental. A Rodésia do Sul, mais rica das três, contestou a construção da barragem no rio Cafué e insistiu que a localização seria no rio Cariba. A capacidade de geração no rio Cafué também seria inferior do que aquela em Cariba. Inicialmente, a barragem era de responsabilidade da Central African Power Corporation. Atualmente, a barragem de Cariba é de propriedade da Zambezi River Authority, um empreendimento conjunto dos dois países, Zâmbia e Zimbábue. Desde a sua independência, Zâmbia construiu três barragens no rio Cafué.

Impactos ambientais

Deslocamento e reassentamento populacional A criação do reservatório da barragem forçou o reassentamento de aproximadamente 57 mil tongas que viviam em ambos os lados do rio Zambeze. Há muitas perspectivas diferentes sobre a ajuda que foi dada aos povos reassentados. O autor britânico David Howard descreveu os esforços pela Rodésia do Norte:

O antropólogo Thayer Scudde, que estudou as essas comunidades desde a década de 1950, escreveu:

O escritor americano Jacques Leslie, em Deep Water (2005), focou na difícil situação das pessoas deslocadas pela represa de Cariba e constatou que a situação mudou pouco desde a década de 1970. Em sua opinião, Cariba continua sendo o pior desastre de reassentamento causado por represas na história africana.

Basilwizi Trust Em 2002, comunidades do Vale do Zambeze, no noroeste do Zimbábue, formaram uma organização de desenvolvimento chamada Basilwizi Trust, buscando melhorias de vida para essa população que foi deslocada por meio de projetos e servindo como um canal entre o Vale e o processo de tomada de decisões do país.

Ecologia do rio A barragem de Cariba controla 90% do escoamento total do Rio Zambeze, mudando significantemente a ecologia a jusante.

Resgate da vida selvagem De 1958 a 1961, foi realizado a Operation Noah (Operação Noé), capturando e removendo cerca de 6 mil animais de grande e pequeno porte ameaçados pela elevação do nível da água do lago Cariba.

Veja também Lago Cariba Represa do Renascimento Barragem de Cahora Bassa

Referências