A mitofagia é um processo celular vital de macroautofagia seletiva responsável pela identificação, isolamento e degradação lisossomal de mitocôndrias disfuncionais ou excedentárias. Essencial para a homeostase energética, a integridade metabólica e a sobrevivência celular, o mecanismo impede a acumulação de organelos senescentes que, de outro modo, desencadeariam a produção massiva de espécies reativas de oxigénio (ROS) e a libertação de fatores pró-apoptóticos (como o citocromo c). A regulação molecular deste controlo de qualidade assenta em duas vias principais: a via dependente de PINK1/parquina — onde a perda de potencial de membrana (ΔΨm) estabiliza a cinase PINK1 na membrana mitocondrial externa, recrutando a lígase de ubiquitina chamada parquina para ubiquitinar proteínas de superfície —, e as vias independentes de parquina, mediadas por recetores específicos como BNIP3, NIX e FUNDC1. Uma vez sinalizada, a mitocôndria é encapsulada por um fagóforo para formar um mitofagossoma, que posteriormente se funde com o lisossoma para a digestão enzimática e reciclagem dos componentes moleculares. O declínio ou a rutura deste sistema de depuração está diretamente correlacionado com a patogénese do envelhecimento biológico acelerado, distúrbios metabólicos crónicos, cardiomiopatias e, predominantemente, doenças neurodegenerativas como o Parkinson e o Alzheimer, onde a elevada exigência bioenergética neuronal torna as células intolerantemente vulneráveis ao stress mitocondrial.
Referências