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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Aliados de Alexandre de Moraes preveem um “show de horrores” na sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode resultar na abertura de investigação contra o ministro por conta de suas conexões pessoais com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O episódio arrastou a Corte para o epicentro do escândalo da maior fraude financeira do país, deflagrou uma guerra interna sem precedentes, colocou em xeque a liderança de Edson Fachin e mergulhou o STF na maior crise institucional de sua história.
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De acordo com fontes que vem acompanhando de perto as articulações, Gilmar Mendes e Flávio Dino deverão ocupar a linha de frente da tropa pró-Moraes, como já vem fazendo nos últimos dias com a guerra dos ofícios que inundou a presidência do Supremo de pedidos e fez com que Fachin solicitasse a Mendonça o levantamento do sigilo de milhares de documentos nos últimos dias .
Conforme informou o blog, Moraes aposta na estratégia, a ser executada pelos seus aliados, de lançar uma série de questões preliminares para tentar melar o julgamento.
Uma dessas questões, segundo apurou a equipe da coluna, deve ser a alegação de que a grande a imensa quantidade de documentos, ofícios, relatórios policiais e de inteligência financeira do Coaf tornados públicos ao longo dos últimos dias inviabilizariam a realização do julgamento.
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Essa é, inclusive, a mesma questão (chamada de “document dump”) que foi levantada por réus da trama golpista – e, na época, foi rechaçada por Moraes e Dino.
O objetivo é justamente evitar qualquer debate sobre o cerne da questão – o relatório que elenca as mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes – que tem 218 páginas e foi tornado público há duas semanas, por decisão de Mendonça. Numa dessas mensagens, em 15 de novembro de 2025, o ex-banqueiro questiona Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?” Dois dias depois, numa segunda-feira, Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai, por decisão da Justiça Federal de Brasília. A Polícia Federal desconfia do vazamento da operação policial.
A linha de ação de Gilmar e Dino será atuar de forma ofensiva e, se necessário, até agressiva, constrangendo colegas de plenário, como Luiz Fux e Kassio Nunes Marques — que podem se tornar alvos de pedido de suspeição por terem sido mencionados em diálogos extraídos do celular de Vorcaro ou por conta das conexões pessoais de seus filhos com o ecossistema do Master.
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Conforme revelou o Estadão, o banco enviou R$ 6,6 milhões à Consult, empresa de consultoria que fez pagamentos entre agosto de 2024 e julho de 2025 ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho de Kassio. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre as movimentações do Master identificou 11 transferências para Kevin, que totalizam R$ 281,6 mil.
Há seis meses Kassio segura uma ação no Supremo que cobra a instalação da CPI do Master.
Este não deve ser o único lance constrangedor.
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Segundo a equipe da coluna apurou, Moraes não só pretende acompanhar pessoalmente a sessão como preparou a sua defesa, insistindo na tese de não reconhecer as mensagens trocadas com Vorcaro.
Na composição do plenário da Corte, em que os ministros se sentam conforme a ordem de antiguidade (quem tem mais tempo de atuação no STF fica mais próximo do presidente), Moraes se senta ao lado, a poucos centímetros de distância, de André Mendonça, seu maior adversário na Corte.
Foi Mendonça quem fez o pedido à PF de confecção de um relatório sobre as 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes, o que não só trouxe à tona mais detalhes da relação entre os dois como escalou a crise no STF, a ponto de Moraes tentar incluí-lo no inquérito das fake news.
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Moraes acusa Mendonça de direcionar as investigações do caso Master e “quebra na cadeia de custódia”, plantando a semente da nulidade para implodir as investigações.
Formato de sessão pode selar destino de Moraes
Outra questão que deve ser levantada é a suposta ilicitude das provas colhidas e o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu o arquivamento do relatório policial sobre as nebulosas mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Ex-sócio de Gilmar Mendes no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o próprio Gonet é mencionado 24 vezes ao longo do relatório e tem sido cobrado pelos seus pares no Ministério Público Federal (MPF) para não atuar no caso, mas indicou que deve comparecer à sessão
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O grupo de Moraes pretende discutir ainda o formato da própria deliberação – se em sessão aberta (como pretende o presidente do STF, Edson Fachin, com o apoio de ex-presidentes da Corte) ou fechada (como quer o grupo de Moraes) – e o quórum de votos exigidos para determinar a abertura de investigação – se é ⅔ ou maioria do plenário.
Mais do que uma questão formal, definir se a sessão será aberta ou fechada pode selar o destino de Moraes, já que na avaliação de seus aliados uma sessão secreta pode ajudar a atrair o voto dos magistrados mais suscetíveis à pressão pública, o que facilitaria um desfecho pró-Moraes.
Além disso, uma sessão secreta cria um ambiente propício para a costura de um acordão, sem transmissão ao vivo da TV Justiça, permitindo que o “show de horrores” termine longe do escrutínio da opinião pública, sem testemunhas.
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