Pulsa Explica: Quais são os fatores de risco do câncer?

Entre os mais importantes, o primeiro é o tabaco: o cigarro e outros produtos estão associados a vários tipos de câncer, não só ao de pulmão. Crédito: edição: Rafael Nogoceke

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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Muitas vezes silenciosa, a infecção pela bactéria Helicobacter pylori, conhecida popularmente como H. pylori, é um dos principais fatores de risco para o câncer de estômago, doença que se forma nas células que revestem a parte interna do órgão.

De acordo com a médica gastroenterologista e hepatologista Ana Flávia Passos Ramos, membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a H. pylori gera uma inflamação crônica que pode se perpetuar e levar a um processo de transformação celular chamado “cascata de Pelayo Correa”.

Dor ou desconforto abdominal persistente são sintomas que merecem ser investigados Foto: wittaya/Adobe Stock

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Quando isso acontece, a inflamação evolui para uma metaplasia intestinal, displasia e, por fim, neoplasia. Isso aumenta o risco de desenvolvimento de dois tipos de câncer gástrico: o adenocarcinoma, o mais comum, e o linfoma MALT.

A H. pylori é mais comum do que parece. Segundo a médica, estima-se que mais de 50% da população brasileira esteja infectada com a bactéria. Na maioria das pessoas, a infecção é assintomática e nem sempre vai levar a quadros mais graves.

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Ana Flávia conta ainda que, em geral, a infecção ocorre por meio do consumo de água ou alimentos contaminados, ou através do contato íntimo com secreções orais ou pela via oral-fecal.
Há sintomas?
Os sintomas só costumam surgir quando a bactéria provoca complicações específicas, como o desenvolvimento de úlceras ou de tumores gástricos, conforme a gastroenterologista.
Em caso de úlcera, o paciente costuma sentir uma dor na região do estômago. Um sinal típico descrito é que a dor costuma melhorar um pouco quando a pessoa come, mas depois volta a incomodar.
Em caso de câncer gástrico, normalmente não há sintomas nas fases iniciais do tumor. Já em estágios um pouco mais avançados, o paciente pode sentir:
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- Dor ou desconforto abdominal persistente;
- Perda de peso sem explicação;
- Dificuldade para engolir;
- Sensação de estômago cheio rapidamente;
- Náuseas ou vômitos frequentes;
- Anemia sem causa conhecida;
- Sangramento digestivo.
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Como identificar a bactéria antes de virar um câncer?
De acordo com Ana, existem exames invasivos e não invasivos capazes de ajudar na identificação da H. pylori.
Entre os métodos não invasivos, estão o teste respiratório (teste do sopro), que identifica a bactéria por meio da análise do ar expirado pelo paciente, e a pesquisa de antígeno nas fezes.
Já entre os métodos invasivos está a endoscopia digestiva alta, exame médico que permite visualizar o interior do esôfago, do estômago e da porção inicial do intestino delgado por meio de um tubo flexível com uma câmera na ponta.
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“Toda vez que se faz a endoscopia, independentemente do motivo, é preconizado fazer a biópsia gástrica. Através dela, a gente consegue identificar a presença da bactéria”, explica Ana.
A médica destaca que, no Brasil, não existe indicação de rastreamento geral da população sem sintomas. A investigação deve ser realizada em cenários específicos: quando se tem sintomas gástricos e histórico familiar.
O tratamento contra a bactéria é feito por meio do uso de antibióticos e anti-secretores.
O câncer gástrico
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em 2020, o Brasil registrou 13.850 mortes pela doença. E, para o triênio de 2023 a 2025, foram estimados 21.480 novos casos por ano no País.
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A bactéria não é o único fator de risco para o desenvolvimento do quadro. Histórico familiar é um fator importante para buscar orientação de um gastroenterologista e hábitos alimentares adequados fazem parte da prevenção.
É indicado, segundo Ana, evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados (como salgadinhos, biscoitos e refrigerantes), defumados (como bacon e presunto) e fontes de gorduras saturadas.
Outra prática que merece atenção é o tabagismo. Fumar aumenta o risco para diversos tipos de câncer - não apenas o gástrico - e está associado a piores desfechos. O consumo excessivo de álcool também pode aumentar o risco da doença.

